Lenine de Carvalho


  Em Algum Lugar   A Adaga   Terra
  A Cordilheira   Espelho de Sombras   Os Olhos da Noite
  Igual   Plegaria por Hugo Berbel   Observando
  Acaso   Longe   Este Canto
  Partida   Kataná (Espada Samurai)   El Condor
  Lontra   Seita   Karatê
  Para Eunice Arruda   Anhanduí   Sem Título
  Para Ti, Madre de La Plaza de Mayo


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  Lenine




Visitantes.








 



EM ALGUM LUGAR

CHOVE!
AQUI E
EM ALGUM LUGAR.
ALGUÉM AMA,
EM ALGUM LUGAR...

Autor: Lenine

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A ADAGA

A ADAGA
É DE COMBATE
DUPLO FIO
NA EXATIDÃO
DA LÂMINA.
NO AÇO FORJADO
MEMÓRIAS DO FOGO,
ANTIGOS VULCÕES
E PAISAGENS GUARDADAS...
PEQUENO CANTO MINERAL
QUE MEU ESPÍRITO
TE OFERTOU,
EM OUTRAS VIDAS,
E QUE RETORNA AGORA
ÀS TUAS MÃOS,
POIS,
SEMPRE,
TE TRAGO
A LUA,
QUANDO É PRECISO!...

Autor: Lenine


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TERRA

Há uma terra
Para cá do Colorado
Onde crescem os pinheiros,
Que se apoderou
De minha alma...
Estou ausente de mim,
Enquanto o Limay
Esteja tão longe...
Neuquén...
Mapuche canção.
Te entrego meu canto
Nascido na Cordilheira,
E este sentimento,
Vôo de condor
Que não conhece
Distância...

Autor: Lenine


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A CORDILHEIRA

Perguntei à cordilheira
Onde se ocultava o Tempo.
"___ Em teus olhos, me respondeu."
Continuei caminhando,
Procurando a passagem secreta
Que a cordilheira me prometera.
A flor do amancay
Sorriu para mim,
E eu lhe perguntei
Onde se escondia o amor.
"___ Ah! Esse é tão frágil,
Que vive ocultando-se
De si mesmo...
É difícil encontrá-lo
E mais difícil reconhecê-lo..."
Já é quase a noite de sempre,
E eu sigo buscando
A passagem secreta,
Que a cordilheira
Me prometeu!...

Autor: Lenine


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ESPELHO DE SOMBRAS

Espelho de sombras
O vulto que passa.
Imutável rosto,
Desconhecido
E distante.
Onde estão teus olhos,
De selva azul,
Verde,
Azul?...
Pelo espelho de sombras,
Passou meu vulto,
Sem refletir-se.
Apenas tu
O percebeste!...

Autor: Lenine


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OS OLHOS DA NOITE

...E os olhos da noite
Viram o barco.
Tão pequeno
O barco,
Sòzinho ancorado
Num rio tão grande...
No barco
Um homem.
Tão pequeno
O Homem,
Sòzinho ancorado
Num mundo tão grande...

Autor: Lenine


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IGUAL

Como o amor
A morte
Se aproxima,
E se
Afasta.
Como o amor...

Autor: Lenine


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PLEGARIA POR HUGO BERBEL

Que suene el cultrun!
Por toda la imensa noche,
Sin cesar,
Que se oyga el cultrun!
Viejas machis de los montes,
Sigan golpeando el cultrun
Y pidiendole a Engenhchén,
Por el alma mapuche
De Hugo Berbel,
Que canta su canto de muerte,
Que trava su lucha de muerte,
Y necesita de ayuda!...
Guitarras de plata,
Alumbren esta noche triste
En que sangra mi corazón...

En la cordillera del dolor
Se oye,
Una mapuche canción...

Autor: Lenine


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OBSERVANDO

À margem
Da vida,
Observo meus erros...
Interminável desfile,
Das coisas que
Não deram certo.
A vida me observa,
À margem...
Multiplicado em equívocos,
Perdido,
Entre tentativas impossíveis.
À margem da vida,
Observo,
A vida me observar...

Autor: Lenine


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ACASO

Quem maneja o acaso?
Quem decide,
Se vou te
Encontrar
Ou não?...
E,
O primeiro acaso,
Quem o manejou?
E,
Por que?...

Autor: Lenine


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LONGE

Uma pedra
Ao sol,
Numa manhã
Fria,
Em um país
Distante,
É o que
Desejo...
Uma manhã
Distante,
Uma criança
Ao sol,
Sentada sobre
Uma pedra,
Em um país
Frio,
É assim que me recordo,
Às vêzes...

Autor: Lenine


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ESTE CANTO

Este canto!
Ah! Este canto!
Quantos desencontros
Pelos caminhos
Que levam
Até teus ouvidos...
Este canto,
Que quer tanto
Te encontrar!...
Ah! Este canto,
Que às vêzes
Cresce, cresce,
Até explodir
Em gritos,
Silenciosos,
De papel!...

Autor: Lenine


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Autor: Lenine




PARTIDA

Estou sempre partindo.
E é tão difícil,
Acomodar todos os sonhos
Em nossa bagagem!
Alguns
Sempre ficam para trás.
A vida,
É um pequeno círculo
Que temos que percorrer
Mil vêzes...
E quando chegamos,
De volta,
A um antigo
Ponto de partida,
Encontramos aqueles sonhos
Que haviam ficado para trás.
Tão envelhecidos agora,
Nos dão a medida exata,
Do tempo que passou...
Mas,
O círculo é infinito,
E eu,
Estou sempre de partida...

Autor: Lenine


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KATANÁ (ESPADA SAMURAI)

A lâmina desce,
Veloz,
Feroz,
Sibilante relâmpago
A cortar
A sombra
Ao meio!
São agora
Duas sombras.
Estreitos olhos
Espreitam meu coração...
Com as duas mãos
Empunho o Kataná.
A lâmina esta limpa,
Fantasmas não sangram!
Meus pés se movem,
Lentamente,
Necoashi___ pés de gato,
Preciso matar as sombras.
Enganoso ashibarai a
Transformar-se em mawashi.
Quero sobreviver!
Desfiro outro golpe
E o aço polido
Divide a tarde em metades...
Agora sim, há sangue no chão!
Ajoelho-me.
Em minhas mãos,
Meu coração agonizante...
Na penumbra, estreitos olhos
Choram por mim!...

Autor: Lenine


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EL CONDOR

Abrir Las alas
Como El condor
Y volar
Sobre La cordilheira
Buscando
Donde se perdi mi alma
Volar
Volar y volar
Mirando
Cada montaña
Lago
Preguntar
Donde se perdió
Cada poema
Que no escribí
Volar más alto todavia
Y escuchar
La misteriosa música
Que los Dioses
Compusierón
Para las montañas
Pero
Donde están mis alas?
Ah! Mis alas
Son este papel
Y la lapisera
Con que escribo...

Autor: Lenine


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LONTRA

Havia uma lontra.
Eu estava dentro do barco,
No rio Paraná.
Fazia de conta que pescava,
Ouvindo a música da água,
Dividida pela proa do barco,
Ancorado longe da margem.
Então,
A lontra apareceu,
À direita, a poucos
Metros de distância.
Tirou apenas a cabeça
Fora da água, com um peixe
Na boca,
E olhou-me com olhos
Redondos e profundos.
Mergulhou novamente,
E era como se não tivesse
Estado alí.
Mas,
A visão daqueles olhos
Permaneceu,
Flutuando sobre o rio...
Sòzinho no barco
Busco na superfície líquida
Aqueles olhos,
Conhecedores de profundidades
Que nunca alcançarei.
Mas,
O rio é um espelho
A refletir um céu falso,
Com inexistentes nuvens.
Sou tomado então,
Por uma dolorosa ansiedade
De ver novamente a lontra,
O pelo liso e escuro
Brilhando na água.
Parece ser tão macio...
Parece pedir uma caricia...
Mas não,
Caricias, carinhos, são coisas
De humana invenção,
Para sabotar angústias,
Enganar carências,
Dissimular inseguranças,
Afastar solidão...
Silenciosamente,
Ela apareceu novamente,
Mais próxima agora,
Como que para investigar
Quem era aquele bicho estranho
Que estava alí,
A perturbar a harmonia
E o equilíbrio
De seu mundo perfeito.
Pude observar melhor aqueles olhos
Líquidos, brilhantes, redondos, expressivos,
Pareciam querer dizer-me algo,
Pareciam querer transmitir
Alguma mensagem,
Muito, muito importante,
Sobre nós dois,
Alí,
Naquele lugar,
Naquele momento...
Esforço-me por compreender,
Tento,
Agora quase em pânico,
Entender o importantíssimo
Segredo,
Que a lontra quer me transmitir.
Tenho medo de não conseguir,
Tenho muito medo
Que se perca para sempre,
Algum tipo de estranha revelação
Que brilha misticamente
Naqueles olhos escuros...
Estamos imóveis,
Eu e a lontra,
No meio do rio Paraná,
Em uma tarde feita só para nós dois
E o rio.
Fito aqueles olhos,
Agora já familiares,
Conhecidos desde a primeira
Noite dos tempos,
E uma compreensão mútua nos une então,
Apesar de termos corpos diferentes,
Pertencemos ao mesmo
Misterioso princípio
Que nos une
Neste instante mágico
Tornando o momento infinito...
Lentamente, ela mergulha.
Lentamente, eu volto onde estou...
Mas, agora,
Já não tão só...

Autor: Lenine


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SEITA

Fundarei um dia,
Minha própria seita.
E a seguirei,
Em paz comigo mesmo
com as coisas que me cercam...
Será uma seita simples,
Que não apregoará
Verdades absolutas
Mesmo porque elas não existem,
Nem ameaçará ninguém
Com castigos ou arrependimentos eternos,
Porque nada é eterno.
Tampouco se preocupará
Em estabelecer uma linha divisória
Entre o Bem e o Mal,
O Certo e o Errado,
Pois essas são coisas
Sobre as quais
Duas pessoas nunca estarão de acordo...
Minha seita determinará,
Que todos deverão ser felizes,
Que nada será proibido,
Desde que ninguém saia ferido.
E se houver uma lágrima,
Que seja de alegria, ou emoção,
Nunca de tristeza...
Um dia, fundarei uma Seita,
Mesmo que seja eu,
Seu único seguidor!...

Autor: Lenine


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KARATÊ

O tatami absorve as tristezas
E o kihon exige concentração.
No bailado quase místico
Dos katás,
O espírito adianta-se ao corpo
Em busca da harmonia,
Perdida no dia a dia...
A correção de um movimento,
Obrigado Sensei,
Por ajudar-me a superar
Meus próprios limites,
Por incentivar-me a ultrapassar
Todas as minhas limitações...
O kumite me ensina
Como vencer o medo,
O medo maior,
De ser derrotado pela vida
E o grande grito Kiai,
Remove temores e frustrações.
Aprendo a respeitar os adversários,
Todos os adversários,
Dentro e fora do Dojo.
E assim, seguindo seus ensinamentos
Vou aprendendo,
Aprendo a vencer o maior
De todos os adversários,
Aprendo como vencer
A mim mesmo!...
Portanto,
Arigatô Gozaymasu, Sensei!!!

Autor: Lenine


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PARA EUNICE ARRUDA

Aniversário, cumpleaños, birthday, geburstag...
10 de junho.
Escrevo para você. Saudades.
Anunciei a todos a intenção
De aniversariar dentro do barco,
Em cima do rio Paraná, sòzinho.
Espanto veio primeiro, compreensão
E aceitação vieram depois. Respeitaram.
Saí sábado, dia 8, cedinho, prometendo
Voltar segunda, dia 10, à noite.
Sabia que lá me esperava
O outro "EU" com quem precisava
Conversar.
O Eu mecânico, automatizado, rotineiro,
Previsível,
Precisava levar o Eu físico
Para encontrar o "OUTRO"...
O sol se põe no Mato Grosso,
Na outra margem do rio.
E o rio todo,
Se tinge de vermelho vivo,
E outras tonalidades, nascem e morrem
A cada segundo...
Nenhum momento é igual ao outro...
O outro "EU"
Mostra-me tudo isso,
Com a infinita paciência
Para o sempre aprendiz.
Ensina-me que deste mesmo lugar,
Há milhares de anos, ensinava também
Aos desaparecidos índios,
A antiga arte,
De adorar o sol,
Em sua momentânea despedida,
Talvez,
A única despedida bonita
Que possa haver...
Centenas de pássaros,
Garças brancas, patos selvagens,
Araras e papagaios,
Em orquestrada gritaria
Cruzam o rio,
E o entardecer...
As sombras avançam,
Apagando o último
Sorriso do sol,
Mas, amanhã, ele
Despertará os pássaros,
E os outros habitantes da mata,
Na mesma hora, em que
Todos estão acostumados.

" Se há luz
Ou se há sombra,
Tudo é ciclo,
Não morada. "

A paisagem se turva,
Como se vista através
Da água.
Não havia percebido as lágrimas...
O outro "EU "
Recua-me no tempo,
Muito, muito, não sei quanto.
" Hatayne Behuê Nhehe!" Grito para a noite
Que esta acordando.
" Anaty Heraikeú" Saúdo as criaturas da
floresta,
De todas as florestas
Antes de mim.
" Ambhoepe Nehereú "
Saúdo a mim mesmo
E a tudo que vive,
E já viveu...
Quando estiver mais escuro
Sairei com o barco para pescar, talvez caçar,
Ou simplesmente passear, integrando-me
Completamente
Neste mundo que sei que já foi meu,
Há muito, muito tempo,
Além de inventadas datas
Anterior,
A algum obscuro contar...
Algum dia,
Te trarei aqui...

Autor: Lenine


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ANHANDUÍ

Rio sentido de longe
Água morna se há frio,
Palmilhei tantas tristezas
Para chegar ao vazio...
Decisão tomada e errada,
Mas, o certo, quem acerta?
Nesta noite penumbra,
Enfeitada de estrelas e grilos...
Sòzinho neste natal,
Sòzinho à beira do rio,
Minhas armas--- meu destino,
Inúteis dentes de aço
A remorder o vazio...
Tanto tempo demorei Anhanduí!...
Meus passos ficaram presos
Nas teias todas da vida,
Mas cheguei, peso maior de tristeza,
Para passar contigo o natal,
Na imensidão desta noite...
Acendí esta fogueira,
Para que possamos ver-nos melhor,
Se bem que advinho-te todo
Sem necessidade de luz...
Mas, --- Quem vem lá?
E por onde? Com passos dissimulados...
Meu companheiro revólver,
Alerta e engatilhado,
Perfura a escuridão com seu olho,
Negro, escuro, arredondado...
Instinto que ficou desperto,
Por tantas surpresas passadas,
Presentes na escuridão,
Fantasmas semi-apagados!
Oh! Mas quem esta chegando
É um pensamento atrasado,
Extraviou-se na mata,
Ao reconhecer todos os lados...
Cumprimentou tantas árvores
Musgos e troncos virados,
Reconheceu todas as pedras
E inúmeros passos quebrados...
Mas agora incorporou-se,
Aos sonhos e às ilusões passadas.
Observa também a fogueira
Um pouquinho amedrontado...
O rio nunca dorme, presença viva acordada,
Com soluços e risos,
Nesta noite do tempo parada...

Autor: Lenine


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SEM TÍTULO

...Warrum kan ich
Immer auf deutsche
Denken?
Ich habe jetz niemand
Zu sprächem mit...
Du bist du
Meine kleine Japs,
Und,
Ich möchete gerne
Mit dier,
Auf deutsche sprächen
Iche weiss nicht warrum...
Has du mich noch gernen?
Bis wen?
Was ist der zeit?
Wen wir sind nicht
Zuzamen,
Der zeit ist angst...
Ich bin angst,
Ich bin allein...
Wieviel angst
Werde ich noch
Haben?
Gib mir deine hand,
Bitte!...

Autor: Lenine


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PARA TI, MADRE DE LA PLAZA DE MAYO....

Yo también soy tu hijo,
Madre de La Plaza de Mayo.
Como somos tus hijos
Todos nosotros,
Los hombres que tenemos
Una conciencia libertária!...
En mi país, Madre,
No tenemos una Plaza de Mayo.
Y tampoco hace falta,
Pués todo el país, Madre,
És una imensa Plaza de Mayo!...
Tu dolor,
Madre de La Plaza de Mayo,
És el dolor de todos los que sueñan
Con la Libertad, la Igualdad y la Fraternidad.
Tu dolor, Madre,
És el dolor de la própria Democracia,
Siempre amenazada,
Por los uniformes y las botas.
Lloro contigo, Madre,
El desaparecimiento de tus hijos,
Mis hermanos y hermanas argentinos,
Y te nombro Madre,
Porque sé
Que si yo hubiera nacido en tu país,
Mi pobre madrecita,
Estaria junto a vosotras,
En la Plaza de Mayo,
Preguntando por mi....
Autor: Lenine

Buenos Aires, 1983
Do livro: Estação Lobo Azul ou P.X. A Caixa Mágica.



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