Rita Sá (Poesias II)


  Vermelho   O Abraço   Bafio
  Teia da Discórdia   Dança Morimbunda   Violinos
  À Boca do Estômago   Amor Proíbidos   Área Cega
  Moldura   Poço   Cacos
  Tormento Delicioso   Pedido   Carnaval
  Verbo   Cálice
  Falha Quantitativa


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  Rita Sá




Visitantes.








 



VERMELHO



Inferno
[ferro e fogo]
De paixão

Falésia
[sangrenta]
Aberta ao Céu

Autora: Rita Sá, 21/12/1999


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O ABRAÇO



Nos braços
[vidas]
Enlaçados

Perdeu-se o medo
Perdeu-se o nada
Perdeu-se a vida

Naquele abraço
Que [nunca] se deu
Ganhou-se a mágoa
E a desilusão.

Autora: Rita Sá, 23/12/1999


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BAFIO



Pequenos apontamentos
Circulam livremente
Ao sabor de mim

São bocados de alma
Que se perderam
Na viagem

Chama reluzente
De vela longínqua

E se apagam
[na memória]
Indefinidamente

Autora: Rita Sá, 24/12/1999


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TEIA DA DISCÓRDIA



Há um prenuncio grosseiro
Imerso em febre estéril

Uma brutalidade violenta
Um medo grosseiro
E gigantesco

De que tudo se perca
Num leve sopro de realidade

E dele não sobre mais
Do que uma esplanada aberta
Ao desalento contido
Sobre o nada.

Autora: Rita Sá, 24/12/1999


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DANÇA MORIMBUNDA



Vejo-te sombra de pranto
ao luar
dançando-me
entre os teus dedos
que se entrelaçam no vazio
ao sabor da música
que era nossa
num toque louco
de nunca ser

Autora: Rita Sá, 27/12/1999

[Revisto por Eliana Mora]

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VIOLINOS



Leves afectos surdos
cruzam-se impiedosamente ao esplendor
da chapa de marfim
que nos envolve
trazendo ardor
mágoa e desencanto

Aqui o choro é selvagem
presságio cristalizado
cicatriz aberta ao mar em grito
falésia que sangra

Tranquilidade.
Silêncio absoluto.

Autora: Rita Sá, 28/12/1999

[Revisto por Eliana Mora]

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À BOCA DO ESTÔMAGO



Dores nauseabundas
Amor embrulhado
Esgar de paixão
Vômito do fim.

Autora: Rita Sá, 30/12/1999


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AMOR PROÍBIDO



eles vivem solitários
tal bago de seda
ou traço de vida

sons perdidos
dum acordeão repleto de paixão
ouvem-se ao longe

perto,
luzes entrecortadas
aninham-se em carinho
ternura escondida feita mistério

eles amam
envoltos em panos escuros
bebendo o líquido da aurora
fantasias douradas que brilham

em redor
olhares famintos
cinzam-se de fervor acetinado

cheias de expectativa
palavras erradas cortam o sonho
prenúncio de canto incompleto

dá-se o fim
aberto à loucura.

Autora: Rita Sá, 05/01/2000


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ÁREA CEGA



por dentro
uma sede imersa
em fogo cristalizante

por fora
falésia aberta
em mar oculto

corpos mesclados
de terror e paixão
pranto e amor
desejo e maldição

almas enlaçadas
entregues uma à outra
perdidas
no mesmo leito

por ti
repousa o desejo
da minha ferida
enlouquecida

Autora: Rita Sá, 14/01/2000


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MOLDURA



forma contínua
inconstante

renúncia cicatrizada

Autora: Rita Sá, 14/01/2000


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POÇO



abriu-se em mim
qual abismo
[precipício
um poço
de boca enorme

no fundo
um balde velho
rios de corda
que descem no escuro
até um fim
obscuro

onde está preso
o vazio
da tua ausência

Autora: Rita Sá, 02/02/2000

[Revisto por Eliana Mora - Em 03/02/2000]

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CACOS



Num mar em fúria
De ondas rasgadas,
Feridas e estilhaçadas

Cristais ondulantes
quebram-se ao som
daquela praia deserta
onde ainda moras
perdido em mim

Autora: Rita Sá, 13/02/2000


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TORMENTO DELICIOSO



Eu e tu
[eles]
e este imenso vazio.

Autora: Rita Sá, 14/02/2000


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PEDIDO



Por favor.
Eu imploro: salvai-me desta tortura.
Matai-me de vez, ou deixai-me viver novamente.
Mas salvai-me! Salvai-me de mim...desta agonia sem fim.
Em Teu nome. Peço-te.

Autora: Rita Sá, 14/02/2000


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CARNAVAL



hoje
fogos de várias cores
[artificio estonteante]
naufragam
sobre mim

seguro a máscara
solenemente

Autora: Rita Sá, 04/03/2000


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VERBO



quero dizer que
te amo
como se fosse
pleno e bastante

como principio e fim
cheio de vida por começar

ainda que frágil
fosse
essa vida

Autora: Rita Sá, 04/03/2000

[Revisto por Eliana Mora, 07/03/2000]

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CÁLICE



Bebo gostosamente
O licor veneno
Que te acompanha
Quando chegas e me acercas de ti

Sei-te mortífero
Agonizante e letal

Ainda assim
Abraço o cristal
E delicio-me a cada gole
Dessa sentença
A que me condenas

Impiedosamente

Autora: Rita Sá, 05/03/2000


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FALHA QUANTITATIVA



Estive sempre um pouco a mais
na tua vida
[ resto ou sobra

E tu na minha
sempre a menos

Autora: Rita Sá, 21/04/2000

[Revisto por Eliana Mora]

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